«África está na primeira linha da agenda da Comissão Europeia. E é assim que deve ser. A União Europeia e África têm uma relação profunda e crescente. A União Europeia acedeu em duplicar a assistência ao desenvolvimento até 2010, e 80% dos 50 mil milhões de dólares adicionais prometidos para África na reunião do G8 do ano passado serão provenientes da Europa.
Mas esta relação terá de se traduzir em muito mais do que no apoio ao desenvolvimento. A União Europeia representa o maior parceiro comercial para África, por exemplo, ao comprar 85% de todas as exportações agrícolas de África. A UE e a África estão ligadas por laços comerciais, políticos e culturais. Trabalhamos em cooperação para fomentar a paz e a estabilidade em todo o continente. O apoio europeu às forças de paz da União Africana no Darfur é apenas o exemplo mais recente desta iniciativa. Foi também com base numa proposta da Comissão que os líderes europeus adoptaram pela primeira vez, em Dezembro de 2005, uma estratégia europeia para África: uma estrutura ambiciosa a longo prazo para renovar as nossas relações com todo o continente africano.
Um elemento crucial desta estratégia é a governação. O desenvolvimento sustentado requer a legitimação dos Governos aos olhos dos seus cidadãos, por forma a assegurarem as funções-chave do estado. Foi por isso que a Comissão Europeia lançou uma iniciativa de governação, propondo um maior apoio financeiro – cerca de 3 mil milhões de Euro – aos países africanos que tenham adoptado ou que estejam empenhados em adoptar um plano credível de reformas de governação concretas. O "African Peer Review Mechanism", o sistema regulador voluntário da União Africana, constituirá um ponto de referência central para a nossa iniciativa.
Pelas mesmas razões, saúdo sinceramente os esforços da Fundação Mo Ibrahim em promover a boa governação e fomentar a liderança em África. Quero que saibam que a Comissão Europeia, e eu próprio pessoalmente, estamos muito empenhados nestes objectivos e na importância da parceria UE-África. Podemos dizer que partilhamos os mesmos objectivos e os mesmos fins. Só através de um esforço global poderemos fazer desta década um marco na história dos dois continentes. Para isso, não devemos olhar só para dentro, temos de olhar também para fora – e é isso que estamos a fazer.»