Em termos estatísticos, deparámo-nos com muitos desafios na compilação deste Índice, entre os quais escolher o método estatístico mais adequado para agregar dados num único Índice composto e, num nível mais básico, encontrar o conjunto mais “adaptado” de indicadores que recolhem de modo suficientemente significativo a governação, tal como definida pela Direcção da Fundação, o seu Fundador, o seu Conselho Consultivo e a Comissão do Conselho Consultivo e Técnico.
O Índice Ibrahim 2009 de Governação Africana é um trabalho em curso e representa tanto uma continuação como uma melhoria do trabalho dos dois primeiros anos. Continuamos a compilar vários indicadores de dados oficiais que recolhem a governação do modo que a Fundação e os seus parceiros a vêem. Além disso, este ano, em grande parte como resultado de contribuições directas dos nossos parceiros e interlocutores africanos, introduzimos um número considerável de indicadores qualitativos (avaliação de especialistas). Cremos que estes acrescentam valor e conotação substanciais à recolha de diferentes aspectos de governação, nomeadamente em relação à avaliação do desempenho de governação actual. Isto aplica-se especialmente dada a natureza bastante tardia de um grande número de dados oficiais, alguns dos quais tiveram de ser excluídos devido ao facto de reflectirem pouco do desempenho recente de um governo. Contudo, enquanto os piores desses indicadores legados foram excluídos, alguns indicadores com um efeito mais limitado de legado continuaram a ser incluídos.
Em termos práticos, descobrimos que muitos indicadores de dados oficiais que gostaríamos de ter incluído não apresentavam uma cobertura de dados suficiente e não eram publicados ou actualizados com suficiente periodicidade para viabilizar a sua inclusão. Este factor levou-nos a excluir os que poderiam justamente ser considerados os mais importantes indicadores sobre governação: os indicadores de pobreza. Por outro lado, e de modo semelhante ao que foi feito anteriormente, para muitos indicadores que incluímos, a falta de um conjunto completo de dados para o período 2000-2008 obrigou-nos a proceder a estimativas dos valores em falta. Para tal, recorremos a substituição e extrapolação das médias. Além disso, excluíram-se os indicadores que apenas apresentavam dados relativos a um único ano.
O Índice Ibrahim é um composto. Após a recolha dos dados brutos sobre todos os indicadores, foi eleito um método para colocar os dados brutos numa escala comum, ou seja, para redimensionar ou normalizar os dados brutos, de modo a poderem ser utilmente combinados para produzir um resultado global para cada país. Há uma vasta escolha de métodos estatísticos e técnicas de agregação de dados. O Índice Ibrahim de Governação Africana utiliza o mesmo método que no passado, nomeadamente o método “mín.-máx.” Contudo, este ano, utilizou-se uma técnica estatística para lidar com valores extremos (para mais pormenores, visite o nosso sítio da Internet em www.moibrahimfoundation.org), dado o elevado nível de sensibilidade do método mín.-máx. a valores extremos.
Fundamentalmente, o método mín.-máx. envolve o redimensionamento dos valores dos dados brutos para uma escala de 0-100, para cada indicador, para cada país e para cada ano. Este redimensionamento é realizado através da fórmula:
[xt – Mín. (X)] / [Máx. (X) – Mín. (X)] * 100
Em que xt é o valor bruto para esse indicador para um país em particular no ano t e Mín. (X) e Máx. (X) são os valores mínimo e máximo desse indicador durante todo o período e para todos os países. O resultado final foi subtraído de 100 quando necessário, para que um número mais elevado indicasse sempre um melhor desempenho.
O método utilizado e a natureza dos dados querem dizer que é mais instrutivo observar as pontuações e classificações nos anos mais recentes, em detrimento dos anos anteriores. Uma razão fundamental para este facto é que os dados nos anos anteriores são incompletos mas a disponibilidade de dados melhora substancialmente ao longo dos tempos. (Para uma explicação mais abrangente, consulte www.moibrahimfoundation.org). Além disso, as comparações entre países (para o mesmo período) devem ser regidas pelas margens de erro não triviais e consideráveis que estão presentes em qualquer indicador ou Índice de Governação. Estas margens de erro significam que devem ser evitadas comparações de resultados ou classificações quando as diferenças entre países são reduzidas, dado que reflectiriam um “empate” estatístico.
Por fim, este ano, no sentido de tornar o Índice Ibrahim mais representativo do desempenho recente, decidimos utilizar, sempre que disponíveis, os dados mais recentes relativos a cada indicador. Isto significa que, por exemplo, para o ano com a indicação 2007/2008, foram utilizados os dados de 2008 se disponíveis; caso contrário, utilizaram-se aqueles de 2007.