CITAÇO DO COMITÉ DO
PRÉMIO DA FUNDAÇÃO MO IBRAHIM
Este prémio, de uma Fundação Africana, é uma celebração das realizações na África.
As conquistas do Presidente Chissano em direcção à paz, à reconciliação, a uma democracia estável e ao progresso económico do seu país impressionaram imensamente o comité, juntamente com a sua decisão de deixar o poder sem querer tentar um terceiro mandato, permitido pela constituição.
O Presidente Chissano tomou posse após ter vencido a primeira eleição multipartidária no seu país em 1994. Essa eleição histórica aconteceu apenas dois anos após ter ajudado, através de negociações, o seu país a pôr fim à guerra civil de 16 anos, guerra que havia devastado Moçambique, deixando milhares de mortos e forçando muitas pessoas a abandonar as suas casas. Liderou um país cuja infra-estrutura e economia estavam arruinadas, com uma sociedade profundamente dividida e que sofria com desastres naturais severos.
O país ainda enfrenta enormes desafios, no entanto, durante os seus dois mandatos, Moçambique estabeleceu uma economia estável com um crescimento forte e um aumento do investimento directo estrangeiro. A sua economia é actualmente uma das histórias de sucesso na África.
Embora Moçambique continue sendo um dos países mais pobres do mundo, os níveis de pobreza caíram. Os programas de redução da pobreza também presenciaram, em comparação às baixas médias anteriores, um crescimento do número de crianças nas escolas e melhorias no sector da saúde. Além disso, foi incentivada a participação das mulheres na vida política e económica do país.
Foram feitos esforços concretos para reconstruir hospitais e escolas que foram destruídos durante a prolongada guerra civil. O governo mostrou uma forte liderança na sua tentativa de combater a epidemia de HIV / SIDA.
No entanto, foi no seu papel na liderança de Moçambique para deixar para trás o conflito e caminhar rumo à paz e à democracia que o Presidente Chissano fez a sua mais notável contribuição. É uma medida da mudança que aconteceu nas eleições nacionais e regionais que foram disputadas, em termos gerais, de maneira pacífica pelos dois lados da dura guerra civil. Esta reconciliação extraordinária entre rivais oferece ao resto do mundo um exemplo digno de nota e é uma prova da sua força de carácter e liderança.
A sua decisão de não procurar um terceiro mandato presidencial consolidou a maturidade democrática de Moçambique e demonstrou que as instituições e o processo democrático são mais importantes do que as personalidades.
O Presidente Chissano também fez uma grande contribuição para além das fronteiras do seu país. Ele foi uma voz poderosa em nome da África no palco mundial e exerceu um papel importante para impulsionar a discussão da questão do alívio das dívidas externas. Foi Presidente da Assembleia de Chefes de Estados e Governos da União Africana. A sua habilidade e experiência na resolução de conflitos foram usadas mais recentemente durante as eleições na República Democrática do Congo e como Enviado Especial da Nações Unidas ao Norte de Uganda. Pela forma como exerceu a sua função de Presidente e pelas suas contribuições mais recentes, é um homem muito estimado por todo o continente africano.
Por estas razões, o Presidente Joaquim Alberto Chissano é o primeiro vencedor do Prémio Mo Ibrahim para o Sucesso na Liderança Africana.
