London, 22nd October 2007
Joaquim Chissano vence
o maior prémio do mundo
Kofi Annan anuncia o ex-presidente de Moçambique como o vencedor do Prémio Mo Ibrahim para o Sucesso na Liderança Africana
Joaquim Chissano, o ex-presidente de Moçambique, foi anunciado hoje como o vencedor do primeiro Prémio Mo Ibrahim para o Sucesso na Liderança Africana. O maior prémio individual do mundo compreende:
• Cinco milhões de dólares ao longo de 10 anos e 200.000 dólares anuais subsequentemente para o resto da vida do vencedor
• Até 200.000 dólares por ano durante 10 anos destinados a actividades de interesse público
Ao anunciar o laureado perante uma audiência formada pela comunidade diplomática africana, representantes da sociedade civil e a imprensa em Londres, Kofi Annan, o Chefe do Comité do Prémio, disse que “as conquistas do Presidente Chissano em direcção à paz, à reconciliação, a uma democracia estável e ao progresso económico do seu país impressionaram imensamente o Comité, juntamente com a sua decisão de deixar o poder sem procurar um terceiro mandato permitido pela constituição”.
Com elogios ao progresso económico, aos programas para a redução da pobreza, aos desenvolvimentos de infra-estrutura e aos trabalhos para combater o vírus do HIV/SIDA do seu governo, Kofi Annan declarou que “foi no seu papel na liderança de Moçambique para deixar para trás o conflito e caminhar rumo à paz e à democracia que o Presidente Chissano fez a sua mais notável contribuição”. Também enalteceu o ex-presidente pela “sua grande contribuição para além das fronteiras do seu país” que incluiu o estabelecimento de “uma voz poderosa em nome da África no cenário internacional”.
Kofi Annan declarou que “o Prémio celebra mais do que apenas a boa governação. Celebra a liderança, a capacidade de formular uma visão e convencer os outros sobre tal visão e a habilidade de transmitir coragem à sociedade, para que aceite mudanças difíceis que farão com que seja possível uma aspiração a longo prazo por um futuro melhor e mais justo”.
O prémio anual foi instituído pela Fundação Mo Ibrahim, fundada em Outubro de 2006 como uma iniciativa africana para fortalecer a boa governação na África. O vencedor foi escolhido pelo Comité do Prémio, formado por seis notáveis indivíduos, que avaliaram todos os líderes da África Austral que deixaram o poder nos últimos três anos em termos do seu exercício de liderança.
O Comité usou as investigações do recentemente publicado “Índice Ibrahim de Governação Africana” e várias outras fontes para avaliar a qualidade da governação nas áreas de desenvolvimento económico e social, paz e segurança, direitos humanos, democracia e estado de direito. O prémio tem como objectivo encorajar os líderes que dedicam os seus mandatos inteiramente ao combate dos desafios de desenvolvimento dos seus países, à melhoria da qualidade de vida e bem estar das suas populações e à consolidação da base para um desenvolvimento sustentável.
Ao ouvir o resultado das deliberações do Comité do Prémio, Mo Ibrahim, o fundador da Fundação Mo Ibrahim, disse: “É com grande satisfação que recebo a notícia de que Joaquim Chissano foi escolhido como o primeiro vencedor do Prémio. Como um homem que reconciliou uma nação dividida e construiu as bases para um futuro estável, democrático e próspero para o seu país, ele é um exemplo não apenas para a África, mas para todo o mundo”.
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Notas aos editores
1) Joaquim Chissano exerceu o cargo de Chefe do Estado de Moçambique de Novembro de 1986 a Fevereiro de 2005. Foi eleito presidente em Outubro de 1994 e novamente em Dezembro de 1999, anunciando que deixaria o poder em 2004. Poderá encontrar-se uma biografia completa do vencedor no sítio www.moibrahimfoundation.org
2) Extractos da citação do Comité do Prémio incluem:
• As conquistas do Presidente Chissano em direcção à paz, à reconciliação, a uma democracia estável e ao progresso económico do seu país impressionaram imensamente o comité, juntamente com a sua decisão de deixar o poder sem querer tentar um terceiro mandato, permitido pela constituição.
• O Presidente Chissano tomou posse após ter vencido a primeira eleição multipartidária no seu país em 1994. Essa eleição histórica aconteceu apenas dois anos após ter ajudado, através de negociações, o seu país a pôr fim à guerra civil de 16 anos, guerra que havia devastado Moçambique, deixando milhares de mortos e forçando muitas pessoas a abandonarem as suas casas. Liderou um país cuja infra-estrutura e economia estavam arruinadas, com uma sociedade profundamente dividida e que sofria com desastres naturais severos.
• O país ainda enfrenta enormes desafios, no entanto, durante os seus dois mandatos, Moçambique estabeleceu uma economia estável com um crescimento forte e um aumento do investimento directo estrangeiro. A sua economia é actualmente uma das histórias de sucesso na África.
• Embora Moçambique continue sendo um dos países mais pobres do mundo, os níveis de pobreza caíram. Os programas de redução da pobreza também presenciaram, em comparação às baixas médias anteriores, um crescimento do número de crianças nas escolas e melhorias no sector da saúde. Além disso, foi incentivada a participação das mulheres na vida política e económica do país.
• Foram feitos esforços concretos para reconstruir hospitais e escolas que foram destruídos durante a prolongada guerra civil. O governo mostrou uma forte liderança na sua tentativa de combater a epidemia de HIV / SIDA.
• No entanto, foi no seu papel na liderança de Moçambique para deixar para trás o conflito e caminhar rumo à paz e à democracia que o Presidente Chissano fez a sua mais notável contribuição. É uma medida da mudança que aconteceu nas eleições nacionais e regionais que foram disputadas, em termos gerais, de maneira pacífica pelos dois lados da dura guerra civil. Esta reconciliação extraordinária entre rivais oferece ao resto do mundo um exemplo digno de nota e é uma prova da sua força de carácter e liderança.
• A sua decisão de não procurar um terceiro mandato presidencial consolidou a maturidade democrática de Moçambique e demonstrou que as instituições e o processo democrático são mais importantes do que as personalidades.
A citação completa do Comité do Prémio pode ser encontrada no sítio www.moibrahimfoundation.org
3) O Comité do Prémio tem como presidente o ex-Secretário-Geral das Nações Unidas Kofi Annan e é composto por Martti Ahtisaari, ex-Representante Especial das Nações Unidas para a Namíbia e ex-Presidente da Finlândia; Aïcha Bah Diallo, ex-Ministro da Educação em Guiné e Consultor Especial do Director-Geral da UNESCO; Ngozi Okonjo-Iweala; Director Executivo do Banco Mundial (a partir de 01 Dezembro de 2007); Mary Robinson, ex-Presidente da Irlanda e ex-membro do Alto Comissariado da ONU pelos Direitos Humanos (e membro da direcção da fundação) e Salim Ahmed Salim, ex-Primeiro-Ministro da Tanzânia e ex-Secretário-Geral da Organização pela Unidade Africana (e membro da direcção da fundação).
4) A Fundação Mo Ibrahim é o resultado da visão do Doutor Mo Ibrahim, fundador da empresa africana de telecomunicações Celtel e um dos homens de negócios africanos mais bem-sucedidos, e foi estabelecida para apoiar o êxito da boa governação na África. Sendo uma organização sem fins lucrativos, a Fundação é governada por um comité de directores que inclui o Dr. Mo Ibrahim (fundador, Celtel International); Lalla Ben Barka (Vice-Secretário Executivo, Comissão Económica pela África das Nações Unidas); Lord Cairns (Presidente, Fundação Charities Aid); Dr. Mamphela Ramphele (ex-Director-Executivo, Banco Mundial); Mary Robinson (ex-Presidente da Irlanda e ex-membro do Alto Comissariado da ONU pelos Direitos Humanos); Salim Ahmed Salim (ex-Secretário-Geral da Organização pela Unidade Africana) e Nicholas Ulanov (Director Executivo, Parceria Ulanov).
5) Nelson Mandela declarou: “Mo Ibrahim tem como missão promover e reconhecer a boa governação que levará ao renascimento político e económico da África. É uma iniciativa africana que celebra os sucessos das novas lideranças africanas. Serve como um exemplo que pode ser seguido pelo resto do mundo. Clamamos para que todos os líderes ao redor do mundo, seja no governo, na sociedade civil ou no sector privado, endossem os seus objectivos e apoiem a sua missão”.
6) O Índice Ibrahim de Governação Africana é um método novo e inovador de classificação da qualidade de governação na África Austral. Desenvolvido sob a direcção da Kennedy School of Government da Universidade de Harvard, com a ajuda de um conselho de consultoria formado por académicos africanos, o Índice Ibrahim de Governação Africana avalia as 48 nações da África Austral relativamente a um novo índice abrangente de indicadores de governação. Para saber mais: www.moibrahimfoundation.org
